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Gravidez

> > >A barriga do padre crescia cada vez mais. Descartada a hipótese de
> > >cirrose, os médicos concluíram por uma exploratória, já que não havia
> > >razão para aquilo. A cirurgia mostrou que era mera acumulação de 
> > >líquidos e o problema foi sanado.
> > >
> > >Estudantes resolveram intervir e quando o padre estava a acordar da
> > >recuperação pós-cirúrgica colocaram-lhe um bébé nos seus braços. 
> > >
> > >O padre, espantado, perguntou o que era aquilo e os rapazes disseram
> > >que era o que ele tinha na barriga. Passado o espanto e tomado de
> > >ternura, o padre abraçou a criança não quis mais se separar. Como se 
> > >tratava de um filho de mãe solteira que morrera durante o parto, os
> > >rapazes envidaram todos os esforços para que o padre ficasse com a
> > >criança. Os anos passaram e a criança se transformou num homem que se 
> > >formou em medicina. Um dia o padre, já velhinho e sentindo que estava
> > >chegando sua hora de partir, chamou o rapaz e disse:
> > >"- Meu filho! Tenho o maior segredo do mundo pra te contar, mas tenho 
> > >medo que fiques chocado".
> > >
> > >O rapaz, que já havia intuído de que se tratava, disse compreensivo:
> > >"- Já sei. Adivinhei há muito tempo. O senhor vai me dizer que é meu 
> > >pai".
> > >
> > >"-Não, sou tua mãe! Teu pai é o bispo de Leiria".

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  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...