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Gravidez

> > >A barriga do padre crescia cada vez mais. Descartada a hipótese de
> > >cirrose, os médicos concluíram por uma exploratória, já que não havia
> > >razão para aquilo. A cirurgia mostrou que era mera acumulação de 
> > >líquidos e o problema foi sanado.
> > >
> > >Estudantes resolveram intervir e quando o padre estava a acordar da
> > >recuperação pós-cirúrgica colocaram-lhe um bébé nos seus braços. 
> > >
> > >O padre, espantado, perguntou o que era aquilo e os rapazes disseram
> > >que era o que ele tinha na barriga. Passado o espanto e tomado de
> > >ternura, o padre abraçou a criança não quis mais se separar. Como se 
> > >tratava de um filho de mãe solteira que morrera durante o parto, os
> > >rapazes envidaram todos os esforços para que o padre ficasse com a
> > >criança. Os anos passaram e a criança se transformou num homem que se 
> > >formou em medicina. Um dia o padre, já velhinho e sentindo que estava
> > >chegando sua hora de partir, chamou o rapaz e disse:
> > >"- Meu filho! Tenho o maior segredo do mundo pra te contar, mas tenho 
> > >medo que fiques chocado".
> > >
> > >O rapaz, que já havia intuído de que se tratava, disse compreensivo:
> > >"- Já sei. Adivinhei há muito tempo. O senhor vai me dizer que é meu 
> > >pai".
> > >
> > >"-Não, sou tua mãe! Teu pai é o bispo de Leiria".

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Sentavas-te no alto, como quem vigiava um reino que só tu conhecias. A janela era o teu posto. O sofá, o teu trono. E aquele olhar meio fechado, entre sério e desconfiado, era a tua maneira de dizer: "Está tudo em ordem. Eu estou a tomar conta." Nunca foste o gato que pedia colo nem mimos. Nem o que seguia cada passo nosso. Eras feito de vontade própria, de aventuras inesperadas, de arranhadelas, de resmungos e de uma personalidade impossível de esquecer. Houve dias em que nos fizeste rir. Outros em que nos pregaste partidas. E muitos em que fingias que não precisavas de ninguém. Mas precisavas. E nós também. A vida foi deixando marcas no teu corpo. Mazelas que nunca escolheste. Batalhas silenciosas que foste enfrentando sem nunca perderes aquilo que fazia de ti... um Ginger Lince. O teu resmungo. Que tantas vezes nos fazia sorrir e que hoje daríamos tudo para voltar a ouvir. Lutaste o tempo que conseguiste.Nós lutámos contigo. Fomos contigo ao veterinár...