As pessoas felizes nem sempre estão felizes. Mas ser é diferente de estar e não é porque não estão felizes que deixam de ser felizes. As pessoas felizes sabem que a tristeza é uma espécie de chuva. Não dura sempre e limpa o pó dos caminhos. Depois da chuva, o sol brilha mais. As pessoas felizes cuidam da sua vida e, por isso, não têm tempo para se meter na vida dos outros. Mesmo que tivessem tempo, não iriam desperdiçá-lo com coisas que não lhes dizem respeito. As pessoas felizes respeitam-se. As pessoas felizes têm vida própria, por isso não precisam da vida alheia. As pessoas felizes são aquelas que conhecem e sentem na pele as dificuldades da vida, mas que reconhecem facilmente todas as coisas maravilhosas que a vida guarda para elas. As pessoas felizes gostam de repartir com os outros essas coisas maravilhosas que a vida lhes oferece. A felicidade dividida por todos nunca divide, une. A felicidade dividida nunca faz com que ninguém tenha menos, mas todos mais. As pessoas felizes podem não ter muito dinheiro, mas nunca são pobres. Ter pouco dinheiro não significa ser menos. Pobres são as pessoas que se julgam mais. As pessoas felizes são as mais ricas como pessoas. Ser mais como pessoa é a maior riqueza a que podemos aspirar. As pessoas felizes irradiam luz. As pessoas felizes não se apagam.
As estradas podem ser boas ou más. Há as novas, lisas, confiantes. Há as gastas, cheias de remendos e memória. Mas nenhuma estrada corrige a distração de quem conduz. O que decide nunca é apenas o piso, é o gesto. Um olhar que falha. Um segundo a mais. Um segundo basta. Conduz-se hoje como se o carro pensasse por nós. Entra-se, roda-se a chave, e parte-se. Poucos verificam pneus, óleo, travões. Confia-se que tudo funcione porque ontem funcionou. A máquina anda, logo está segura. Mas a segurança não é automática. É um hábito consciente que se renova todos os dias e que muitos deixaram cair. Na chuva e no nevoeiro, a estrada enche-se de sombras em movimento. Carros sem luzes. Outros apenas com mínimos, invisíveis atrás, como se não existissem. Avançam a velocidades incompatíveis com o que os olhos conseguem realmente captar. Pergunto-me se veem o caminho ou se conduzem por memória, como quem atravessa um quarto escuro de olhos fechados, convencido de que nada mudou desde ontem. Os ...

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