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Na escuridão da noite,
nos olhares da lua,
na melancolia e tristeza do amor,
no amor não correspondido,
que faz doer sem se ver,
que misturas a tristeza com a alegria,
e a dor com a força,
que desbloqueias a minha fonte de inspiração,
que despertas as palavras soltas,
palavras que surgem na ponta da língua,
á espera de criar uma frase,
á espera de um sentido,
á espera de um sorriso,
com a finalidade de serem escritas ,
em algum folha em branco,
ou em algum sitio,
ou murmurar no ouvido de alguém...

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  Ninguém sabia de onde vinha o velho Mestre. Uns diziam que passara a vida entre bibliotecas esquecidas; outros juravam tê-lo visto atravessar desertos, mosteiros e cidades onde as palavras pareciam mais antigas do que as próprias pedras. Mas todos concordavam numa coisa: quem aceitasse um dos seus desafios nunca mais voltava a olhar para a língua portuguesa da mesma maneira. Numa tarde de verão, pousou sobre a mesa um pequeno cofre de madeira escura. Não tinha fechadura, dobradiças visíveis nem qualquer sinal de chave. Apenas uma inscrição gravada na tampa: «Abre-me com sete partes do corpo humano.» Pela janela entreaberta entravam os sons da praça. Ao longe, uma melodia elevava-se da velha igreja. Os acordes eram tão profundos que pareciam fazer respirar as paredes de pedra e espalhavam-se pelas ruas como um fio invisível, fazendo vibrar o silêncio. — Parece fácil... — comentou um rapaz. O Mestre sorriu. — Os enigmas mais difíceis são aqueles que se apresentam com a si...