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Na escuridão da noite,
nos olhares da lua,
na melancolia e tristeza do amor,
no amor não correspondido,
que faz doer sem se ver,
que misturas a tristeza com a alegria,
e a dor com a força,
que desbloqueias a minha fonte de inspiração,
que despertas as palavras soltas,
palavras que surgem na ponta da língua,
á espera de criar uma frase,
á espera de um sentido,
á espera de um sorriso,
com a finalidade de serem escritas ,
em algum folha em branco,
ou em algum sitio,
ou murmurar no ouvido de alguém...

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 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...