Avançar para o conteúdo principal

Autoficção

Acordei suada e assustada, devido a um sonho estranho que tive. Já era dia, logo aproveitei para me levantar e preparar-me para ir a uma caminhada que iria acontecer neste dia, em Vila Franca de Xira com uma amiga. Fui de carro e estacionei lá perto do passadiço. Tomei um belo de pequeno-almoço, numa esplanada ali perto. O tempo estava incerto, muito nublado, mas abafado. E já juntava muita gente para a caminhada. Entretanto, a minha amiga chegou e a caminhada começou.

Dizia-lhe que estava com uma sensação estranha, não era de indisposição, mas era mais um pressentimento.

Continuamos, a meio do caminho começamos a subir em direção a uma ponte. E o nevoeiro adensava nesse local. Quando mais em direção à ponte, mas o nevoeiro fechava e eu comecei a sentir novamente os pressentimentos. De repente, parei e mandei um berro: "Parem." - Pensei um pouco. - "Voltem para trás. Há problemas ali a frente". Alguns olhavam para mim, como se eu fosse maluca, a maioria voltou para trás ao verem o nevoeiro cerrado, um ainda avançou.

Eu encostei-me ao separador para respirar e um polícia veio ter comigo. "Está maluca? Mandou toda a gente para trás? "

"Sim, sinto que há problemas à frente e não se vê nada a frente do nariz. Quer arriscar?"- respondi-lhe com exatidão. -"Se me acompanhar, vamos devagar ver o se passa."

E seguiu-me, lateralmente ao separador... e vimos que a ponte parecia que tinha uma curva.

Ouviam-se barulhos de cima. Olhei para lá e numa nesga do nevoeiro vi algo estrondosamente assustador.  E o polícia ficou assustado, só de ver a minha cara. Eu apontava e dizia: "um, hum um… ".

E o nevoeiro dissipava. E começava-se a ver uma avioneta com uma cruz vermelha, presa aos fios da ponte e a ouvir um -"Mayday!!"…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...