Luz das Letras: Escreva uma frase curta (máximo 20 palavras) relacionada com o elemento (fogo). Depois, crie um texto onde contenha a frase que criou (até 300 palavras).
As chamas dançavam ao vento, consumindo a madeira crepitante, enquanto a luz dourada refletia nos olhos fascinados da jovem observadora. Clara permaneceu imóvel, sentindo o calor envolver-lhe o rosto, o cheiro intenso da madeira queimada a invadir-lhe os pulmões. Não recuou. Aquele fogo não era apenas destruição, era uma libertação.
Horas antes, encontrara-se sozinha na velha casa, onde as paredes sufocavam ecos de gritos e lágrimas do passado. O cheiro a mofo misturava-se com lembranças cortantes. Ali crescera, entre silêncios esmagadores e palavras afiadas como lâminas. Cada canto daquele lugar exalava dor, as sombras pareciam sussurrar segredos que ela desejava esquecer. Mas agora, segurava a caixa de fósforos, os dedos cerrados, o coração acelerado. Era chegada a hora.
O primeiro fósforo acendeu-se num estalido breve, uma centelha frágil entre os seus dedos trémulos. Hesitou. Um nó apertava-lhe o peito, mas era um aperto diferente, não de medo, mas de despedida. Pensou nos anos roubados, no sofrimento engolido em silêncio e então, soltou um suspiro profundo. Deixou cair a pequena chama sobre as cortinas envelhecidas. O lume rastejou por elas, crescendo, devorando, transformando tudo num inferno dourado.
O fogo rugiu, subindo faminto pelas paredes como serpentes de luz. Clara recuou para o jardim, onde o frio da noite beijava-lhe a pele em contraste com o calor abrasador que consumia o passado. As chamas iluminavam o céu negro, dançando como espíritos vingativos. A sua respiração era leve, os ombros já não carregavam o peso de outros tempos.
Quando as sirenes soaram ao longe, Clara não se moveu. O medo não existia e o arrependimento nunca chegaria. O passado ardia diante dela, reduzindo a cinzas e na sua alma, só restava liberdade. Fogo destruía, mas também purificava.
E naquela noite, Clara renasceu das suas próprias chamas.
O primeiro fósforo acendeu-se num estalido breve, uma centelha frágil entre os seus dedos trémulos. Hesitou. Um nó apertava-lhe o peito, mas era um aperto diferente, não de medo, mas de despedida. Pensou nos anos roubados, no sofrimento engolido em silêncio e então, soltou um suspiro profundo. Deixou cair a pequena chama sobre as cortinas envelhecidas. O lume rastejou por elas, crescendo, devorando, transformando tudo num inferno dourado.
O fogo rugiu, subindo faminto pelas paredes como serpentes de luz. Clara recuou para o jardim, onde o frio da noite beijava-lhe a pele em contraste com o calor abrasador que consumia o passado. As chamas iluminavam o céu negro, dançando como espíritos vingativos. A sua respiração era leve, os ombros já não carregavam o peso de outros tempos.
Quando as sirenes soaram ao longe, Clara não se moveu. O medo não existia e o arrependimento nunca chegaria. O passado ardia diante dela, reduzindo a cinzas e na sua alma, só restava liberdade. Fogo destruía, mas também purificava.
E naquela noite, Clara renasceu das suas próprias chamas.
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