O relógio da estação marcava exactamente vinte e três horas quando o último comboio partiu, rasgando a quietude da noite. A locomotiva deslizava pelos trilhos como um predador silencioso e o som compassado do motor era a única companhia da escuridão. Lara, envolta num casaco que pouco fazia contra o frio, ajustou-se no assento. O veludo, outrora rico e convidativo, estava agora desgastado e áspero ao toque, refletindo anos de abandono.
O vagão permanecia vazio. A ausência de outros passageiros criava um silêncio quase palpável, apenas interrompido pelo ritmo hipnótico dos trilhos. Lá fora, o mundo parecia ter sido engolido por uma noite eterna. A paisagem era um abismo escuro, sem qualquer sinal de vida ou luz. Nenhuma aldeia distante, nem estrelas ou lua para quebrar o vazio. Ela observou o cenário, sentindo um desconforto que crescia à medida que os quilómetros passavam.
“É como viajar por um sonho quebrado”, pensou, tentando afastar a sensação de estranheza.
O comboio avançava e o embalo dos movimentos começava a agir sobre ela. As pálpebras tornaram-se pesadas e o cansaço acumulado finalmente venceu. Por breves momentos, entregou-se a um sono inquieto, embalado pelo som monótono do metal contra o metal.
Foi então que um solavanco forte a arrancou abruptamente da inconsciência. O coração disparou e os olhos abriram-se, confusos. Algo estava errado, acontecia alguma coisa. A locomotiva desacelerava, um pouco fora do normal, considerando que nenhuma estação deveria surgir até ao destino. Espreitando pela janela, os seus olhos fixaram-se numa placa enferrujada que emergia do escuro como um fantasma. As letras desbotadas formavam uma mensagem simples, mas carregada de um presságio terrível: “FIM DA LINHA”.
Um arrepio percorreu-lhe o corpo e apertou o casaco contra si, tentando afastar os calafrios. Aquele nome, aquela paragem, não fazia parte da rota. O comboio parou por completo. Um silêncio mais profundo do que qualquer outro instalou-se. As luzes do vagão começaram a piscar sem cessar, lançando sombras em movimento contra as paredes e o chão, criando formas escuras que pareciam dançar na periferia da visão.
— Está tudo bem? — perguntou a si mesma, mas as palavras soaram ocas, como se não pertencessem àquele lugar.
A luz extinguiu-se de vez, mergulhando-a numa escuridão densa. Lara respirou fundo, tentando conter o pânico. Os seus sentidos pareciam amplificados pelo vazio ao seu redor e foi então que ouviu o primeiro som, os passos.
O eco suave e arrastado vinha do longo corredor, aproximando-se lentamente. O som ressoava no vagão como se estivesse dentro da sua própria cabeça. Ela engoliu em seco e tentou falar, mas a voz saiu trémula.
— Condutor? — chamou.
Os passos cessaram abruptamente. Por um momento, a tensão era insuportável. E então, veio a risada. Baixa, rouca, quase animalesca, parecia um murmúrio feito para ser ouvido unicamente por ela. Sentiu o pânico crescer, e num movimento instintivo, virou-se, mas encontrou apenas o corredor vazio.
Tentou ligar a lanterna do telemóvel. O ecrã permaneceu negro, indiferente aos seus esforços. O som voltou, desta vez algo mais pesado a ser arrastado. Veio de trás. Ela congelou, incapaz de se virar imediatamente. Quando finalmente reuniu coragem, avistou uma sombra no extremo do vagão.
A figura moveu-se. Alta, esguia, com uma postura antinatural, deslocava-se como uma marioneta desajeitada. O rosto, agora visível graças a um breve lampejo das luzes, era desumano. Pálido e macabro, com olhos que eram apenas dois enormes buracos negros, onde não existia qualquer traço de vida. Um sorriso sombrio distorcido alargava-se por uma boca que parecia maior do que deveria ser.
— Não deverias ter vindo — sussurrou a criatura, com a voz fria como gelo a cortar a atmosfera.
Recuou, os músculos recusando obedecer ao instinto de correr. Tropeçou nos assentos e caiu, sentindo o impacto nas costas. Tentou arrastar-se para longe, mas antes que pudesse escapar, as mãos geladas agarraram-na pelos ombros com uma força brutal. Não houve tempo para gritar. O rosto da entidade estava agora a centímetros do seu, e os olhos, ou a ausência deles, sugavam-na para uma escuridão que parecia infinita.
Quando abriu os olhos, já não continuava no comboio. A neblina envolvia tudo, impossibilitando distinguir onde estava. Ecos de risadas e murmúrios cruzavam o ar, e à medida que os seus olhos se ajustavam, começaram a surgir os rostos. Desfigurados, contorcidos pela dor e pelo medo, olhavam para ela com uma intensidade esmagadora.
— Não há saída — murmurou uma voz, baixa e inexorável.
Lara gritou, mas o som perdeu-se naquele vazio que parecia sem fim. Estava presa. Um limbo onde o tempo não existia e os horrores eram intermináveis.
O comboio, no entanto, reiniciava a sua marcha. De fora, qualquer transeunte poderia jurar que era apenas uma viagem comum. No interior, porém, o horror aguardava pacientemente pela próxima vítima.
PORTUGUESE FEMALE POWER On 20 May 2006 we had the pleasure of spending 48 hours in Portugal adjudicating an attempt on the Guinness World Record for the Largest Human National Flag. The record to beat was set in Scotland earlier this year when 13,254 fans formed the Saltire, the Scottish national flag, at a Scotland v France Six-Nations game at Murrayfield Rugby Club. Held at Lisbon's national stadium, the event was organized by a company called Realizar who had plenty of experience having organized seven other successful Guinness World Records attempts. These include the Largest Hockey Stick, a staggering 56 ft 7 in ( 17.25 m) long, the Largest Human Logo made up of 34,000 people (part of Portugal's successful bid to host the Euro 2004 soccer championships) and the Largest Football with a whopping diameter of 19 ft 10 in (6.06 m)! But the focus this time was once again on mass participation. The record attempt was part of a larger celebration organized by Banco Espirito Santo,...

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